Neste mês faremos a divulgação e apresentação do artista em dois, Edilson Jorge/Rosário Ngunza. Estes poemas fazem parte do seu baú.
Casa Velha
E lembro agora como esta
A vossa casa velha!
Aquela casa pobre aonde tantas vezes
Fiquei
Aonde vocês tantos anos viveram
E confidenciaram o vosso amor
Na vossa maneira de se amar
Sentados na varanda a beber
Um copo na frescura da figueira
A ouvir o som de um pequeno rádio
Que com os seus ruídos, vós
Embalava e fantasiava mais a vossa imaginação
E assim as imagens alcoolizadas
Da vida que vocês sonharam na mocidade
Surgiam na ventania dos morros que vós
Circundavam
E na sombra das flores que perfumavam
A solidão do vosso amor
Hoje aquela casa velha
Continua no mesmo lugar!
Com as duas cadeiras na varanda
E a enorme figueira
Só os vossos sorrisos e o estalar
Dos copos nas anedotas do velho Adriano
Se calaram
Acabou a bebida, calaram as piadas
E enterram o vosso amor
Aonde quer que estejam
Na desconhecida morte
Sei que estão sentados lado a lado
A sorrir como sempre com um bom
Copo de vinho nas mãos.
Rosário Ngunza
Menina mulher
Tão linda e pequena
Tão fofa e sincera
Seu amor me tocou
Tão pura e serena
Pessoa pequena
O nosso amor não pode ser
Tão doce e amargo
Ingénuo e pecado
O nosso amor é proibido
Tão tristes e duras
Cereja secando
As tuas lágrimas queimaram
Um rosto tão frágil
Um dia encontraras
Um homem pequeno
Tão fofo e sincero
Seu amor te dará.
Rosario Ngunza
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